Monstro Animal
TREM QUE PULA, TRACAJÁ, SANGUINOLENTO!

A Webjet vai, eu fico

Curitiba – São Paulo a míseros R$29,00. São Paulo, a selva de pedra onde mora o meu sobrinho, Claudinho, de quem quase morro de saudades, a R$29,00 de distância.

Curitiba – Rio de Janeiro a R$49,00. Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa para onde tenho vontade de voltar todos os dias da minha vida.

Curitiba – Belo Horizonte a R$69,00. Belo Horizonte, a capital do estado mais mineiro do Brasil, onde tenho amigos que gostaria de rever a cada final de semana, em cada boteco pra onde carrego meu espírito toda vez que quero me inebriar de spirits mundanos.

Curitiba – Salvador a R$99,00. Salvador, a cidade de todos os santos que ainda não conheço, mas para onde tenho tanta vontade de ir, nem que seja só pra ver o quê que a baiana realmente tem e se o Pelourinho é tão parecido com o Largo da Ordem como eu penso que é.

Tudo isso no site da Webjet, somente hoje. Tudo isso a poucos cliques de distância. O Brasil em promoção, que tal?

Não vai dar nego, vou ficar em Curitiba. Final de semana retrasado, como já falamos por aqui, acompanhamos um belíssimo trabalho para promover a escrita e a leitura junto a algumas escolas. Final de semana passado também, mas foi no final de semana retrasado, na primeira escola, que surgiu o Roger. Um estudante com seus, sei lá, 18, 19 anos? Ele teve uma redação editada no livro que estávamos lançando. Veio pra frente, apertou a minha mão, apertou a mão do deputado Marcelo Almeida, fizemos uma foto juntos, os três. O Roger pediu para ler um poema. Era um poema de Olavo Bilac. Ele sentou à mesa e começou a leitura. Durante os breves minutos que se passaram enquanto ele lia, o tempo parou. Ninguém respirava, ninguém se movia, ninguém piscava, uma mosca ou uma abelha que estivessem de passagem teriam parado no ar, feito pequenas miniaturas de beija-flor, elas teriam ficado ali, sustentadas pela poesia que o Roger lia. Creio que todos ali sentiram flutuar por breves instantes. O contador de histórias Carlos Daitschman estava conosco. Ele que já viu e ouviu muita coisa contando histórias por esse país era pura emoção. Os olhos marejados. Acho que levou alguns instantes antes que todos voltássemos a sentir o compasso pragmático do mundo. Foram alguns instantes antes que voltássemos a tocar com os nossos pés no chão. A sinceridade do Roger, a simplicidade dele enquanto lia Olavo Bilac para um grupo de pessoas foram tão imensas, não sei, aquilo tirou o nosso centro de gravidade e depois nos devolveu como quem acorda de um sonho. Ninguém saiu dali igual.

Corta, pula pro próximo ato. As pessoas que nos acompanhavam na comitiva correndo para os carros, havia outra escola onde deveríamos ir. Eu apertando a mão do Roger, de onde tanta inspiração, guri? Em menos de um minuto, antes que eu me juntasse à correria para os carros, com a mesma calma e serenidade, ele deu um jeito de me dizer que integrava um grupo de solidariedade. O grupo estava em apuros. Só tive tempo para anotar nome e telefone.

Terceiro ato: durante a semana dei um jeito de ligar e consegui falar com o Roger. Ouvi sobre tudo o que o grupo de solidariedade realiza na CIC, um dos maiores bolsões de pobreza e violência extremas de Curitiba, esse o lugar onde havíamos estado distribuindo livros e ouvindo Bilac.

Quarto ato, sábado passado: voltei à CIC. Eu e o Carlos Daitschman. Estivemos no Centro Espírita Luz do Evangelho, onde funcionou, até sábado, o Grupo Solidariedade Curitiba. Funcionou, porque sábado, dia 10, um ciclo se fechou. Eles teriam até setembro para encontrar uma nova sede, o Centro Espírita vai ser utilizado para outros fins, o espaço foi requisitado, o Grupo tem que sair. Hoje fiquei sabendo que o prazo até setembro foi revisto. O Grupo realizou seu último sábado de bazar e atividades sábado passado naquele local. Foi isso que fiquei sabendo hoje, ao receber um email do Roger. Pensa que eles se abateram? Não, Irmão. Estão indo de mala e cuia para dentro da Comunidade Vitória Régia, uma das mais carentes de toda a CIC, berço dos maiores problemas que o Grupo atende. Para onde eles vão? Ninguém sabe, mas eles vão pra lá. Quanto a mim? Vou junto. São Paulo, Rio, BH e Salvador podem esperar. Eu vou pra CIC. Vou conhecer a Comunidade Vitória Régia. Vou ver se consigo dar um help e encontrar um canto pro Grupo Solidariedade Curitiba seguir trabalhando. E se esse post estiver fazendo algum eco por aí, se você tiver um palpite, mesmo que no fundo do seu ser, que você pode, de alguma maneira, estender uma mão, mande o seu sinal de fumaça. Bang your drums.

Quer conhecer o trabalho do Grupo? Não é pouca coisa que eles realizam. Ólha: http://www.gruposolidariedadecuritiba.com.br/index.php

Como ajudar? Não sei ainda. Não sei nem o que eu vou fazer. Mas a gente vai descobrir. Stay tuned.

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Uma resposta to “A Webjet vai, eu fico”

  1. Que delícia ler esse post e saber desse trabalho, parabéns! Fico emocionada. Conhecemos tão pouco do que rola nas perifas das nossas cidades. Eu já fui ao Samba da Vela e ao Sarau da Cooperifa. No mínimo, instigantes. Foram duas belas noites. Vamos juntos qdo vc vier? Bjos.


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