Monstro Animal
TREM QUE PULA, TRACAJÁ, SANGUINOLENTO!

Mulheres por Carpinejar x Mulheres por Monstro Animal

Se você pensa que esse Monstro virou um vagal preguiçoso, ou que desencanou completamente desse lindo Blog, não é nada disso, você está redondamente enganado, seu animalzinho magro e pálido. Não entramos em recesso, não tiramos férias, não estamos nem tristes e nem cabisbaixos, até muito pelo contrário. Estamos dando nossos pulos e pedalando muito, essa é a verdade. Por isso acabamos postando menos nessas linhas tão virgens e tão atraentes. Tudo o que temos feito é trabalhar, trabalhar, trabalhar, ir pra casa, comer alguma coisa e ler.

Acabei de voltar da Bienal de São Paulo. Um baita evento incrível organizado pela sensacional CBL, que é a Câmara Brasileira do Livro. Uma Senhora organização, Monstro Animal que promove a leitura no Brasil e o relacionamento das nossas editoras com o mercado doméstico e com o resto do mundo. Mas isso é assunto para muitas outras luas e não creio que ninguém aqui esteja realmente interessado em ler sobre isso nesse momento. O fato é que eu, compulsivo por natureza, fracassei em controlar a minha compulsão pela compra de livros. Saí da Bienal na sexta-feira passada carregando sacolas de Bukowski, Fante e Carpinejar. Esse último, o Fabrício, é um gaúcho que eu há tempos andava curioso por ler. O cara manda bem, é um poeta, como o classifica a Marta Medeiros, mas, sinceramente, ele criou um estilo tal que não sei, enfim, ainda não sei se ele consegue escrever diferente. Muito cedo para dizer porque estou lendo o primeiro livro. O fato é que ele escreve frases de efeito, chega a conclusões extremamente matadoras, é um tremendo observador da alma feminina e um ladrão de emoções delas. Esse cara definitivamente encontrou o estilo dele. Despe as mulheres com palavras, algo tão incrivelmente difícil quanto admirável de se fazer. Imagino que elas, ao lerem Fabrício Carpinejar, sentem-se completamente nuas, 100% Butt Naked, desvendadas em seus mais recônditos segredos, em suas mais ínfimas dobrinhas de personalidade, flagradas em seus suspiros menos audíveis. Seu olhar é surrupiado, os movimentos fotografados e até os seus pensamentos nunca antes revelados, eles aparecem deitados nas linhas escritas pelo Carpinejar para quem se interessar por ler. Como falei, sigo em dúvida se vou gostar de lê-lo ou não. Tem momentos que ele vai parecer um baita canastrão, mas então fecha o pensamento, ou raciocínio, com alguma sacada tão precisa que sou obrigado a voltar para o começo e admito: o desgraçado marcou mais um ponto de Ace. As mulheres exerceram e seguem exercendo uma magia inescapável para esse moço, ele está infalivelmente enredado nas teias e nas tramas desse mundo tão intenso, nessa caverna tão abissalmente profunda que é o mundo feminino. Nunca cruzei o Carpinejar, mas posso dizer que ele é o que é por causa desse encanto feminino ao qual poucos homens realmente se dão ao trabalho de se entregarem como ele, à partir de algum momento, passou a se entregar. Ele se inebriou de uma espécie de pólen que poucos de nós nos atrevemos a nos aproximarmos para uma breve inalada que seja, de tanto medo do desconhecido. A recompensa para esse minúsculo círculo de corajosos – ou curiosos? – é enxergar as mulheres através de lentes que só quem se entrega a tamanha aventura de maneira tão devotada e atenta consegue enxergar. O Carpinejar é grato por isso. Quer ver? Ólha o que ele escreveu:

“… As mulheres foram em mim mais do que posso oferecer ou dizer. Nesta grama verde, perfumada de abandono, deito o meu corpo como um casaco para que nunca nenhuma mulher passe frio na linguagem.”

F. Carpinejar – no livro O Amor Esquece de Começar

Quanto ao Fante, comprei o único livro que ainda não havia lido dele: “1933 foi um ano ruim”. Não sei como será minha vida depois de ter lido todos os livros de John Fante. Nem quero ficar pensando nisso. Creio que vou começar a pegar onda ou aprender a tocar um instrumento.

Do Charles Bukowski comprei “Numa Fria”. Gosto muito dos Pocket da LM, eles são fáceis de carregar nas viagens, dá pra levar pra praia, já entrei no mar lendo os Pocket algumas vezes. Eles servem para muitas coisas mesmo, mas não vou dizer aqui o que acabei de pensar.

Finalmente, comprei Dinossauros 3-D, Monstros do Mar 3-D e cartelas de adesivos do Carros, do Ben-10 e do Homem Aranha. Esses todos para o meu sobrinho. Ele gosta muito. Aliás, a Bienal do Livro 2010, em São Paulo, veio para comprovar a tendência de livros de quadrinhos e tudo o mais que seja direcionado ao público infanto-juvenil. Hordas de crianças e adolescentes abarrotaram os estandes de literatura infanto-juvenil. Jogos e HQ, esse é o futuro. Inclusive entrei no estande da Imprensa Oficial, única que reservou um espaço inteiro para os e-readers, i-pads e afins. Não consegui chegar muito perto dos hardware porque a molecada tomou conta, era engraçado de ver. Em meio a tantos baixinhos, o máximo que consegui foi conversar com a gata que demonstrava os aparelhos. Na hora do almoço, quem estava atrás de mim na fila do restaurante? No dia seguinte voltei à Bienal e paguei um almoço pra gata da Imprensa Oficial. Ela me chamou de “amigo”. Cara, detesto mulher que me chama de “amigo”, troço mais afetado. Puta sotaque paulista da gata morena me chamando de “amíiiiiiiigo”, vai tomar no cu. Uma gata bonita, enfim, me chamando de amíííeeeigúuuuuuuu, pra pqp. É o fim dos tempos. Morena filha da mãe. Mesmo assim deixei o almoço pra ela. Uma baita de uma refeição. Deixei o almoço pra gata, dei as costas e fui embora, caminhando no meio de uma imensa multidão e tentando não ser notado por todos aqueles livros incríveis.

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