Monstro Animal
TREM QUE PULA, TRACAJÁ, SANGUINOLENTO!

fev
23

De que natureza as armadilhas e os golpes que seguem nos unindo, Querida? Quantas pontes bombardeadas, queimadas e caídas ainda nos suportam no ar? Me diga, meu Bem, se um dia vamos parar de contar o tempo cronológico em quilômetros rodados pelo mundo. Se cessaremos de calcular a distância física em dias, semanas, meses e anos. Por que a gente voa com os pés no chão e por quê fincamos raízes com a cabeça nas nuvens? Circunvoluções cerebrais nos mantêm alertas, mesmo diante de toda e qualquer improbabilidade científica ou linguística, seja como for ou deixar de ser. E é essa miríade de antagonismos que nos centra, que equilibra o teu labirinto e o meu. Confuso é desvendar a confusão. Morrer de fome, de sede e de frio e das mais severas privações é, para seres como nós, como nascer de novo. Uma vez eu te falei que uma estrela cadente é uma estrela que sobe, que a luz cintilante pertence a um astro que já se apagou e muitas outras você me sorriu com os olhos cheios de lágrimas, quase a ponto de chorar – disso eu sabia, embora fingisse ignorar. Toda oportunidade representa uma perda, como toda nova linha reta oculta uma velha esquina. Todo homem sábio admite que pouco sabe e toda a droga do mundo é nada. É que os grandes amantes sangram enquanto estancam porque uma história de verdade é feita de inconsistências, de revelados mistérios e de evidências secretas. E é por isso, meu Amor, que eu te odeio mais a cada dia: é só o meu jeito de gostar.

E será que você tem a mesma sensação que eu: de que o que nos mantém apartados é justamente a nossa indissolúvel aliança? E se, na escuridão dos dias, os meus textos te trazem até mim, é na clarividência da noite que a tua ausência me leva de encontro a você.

fev
23

Diálogo entre um “certo” Monstro Animal e seu médico do aparelho digestivo – leia-se médico de obesidade – na semana pós carnaval:

“Andrézinho, você vai ter que fazer dieta e emagrecer antes da cirurgia!”

“Ok, doutor. Mas, depois, vida normal, certo?”

“Andrézinho, não vai poder engordar de novo, senão volta tudo.” (a hérnia de hiato e o refluxo…)

“Doutor, eu faço o meu trabalho e você faz o seu: eu fico doente e você cura.”

fev
19

Tem uma criança encerrada dentro de um quarto sem luz, trancado por dentro

Não tem medo da escuridão, ao contrário, abriga-se nela

Esconde-se, chorando, porque tem pavor do barulho escandaloso dos trios elétricos lá fora.

Eles são ameaçadores, assassinam a tranquilidade tão típica da beira do mar.

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Em algum outro cômodo, na mesma casa, alguém grita:

“O carnaval não é cura para nada! O carnaval é a droga! Êita porra, quem é que faz hora extra no carnaval, além de sambista, enfermeiro, exorcista e o próprio diabo em pessoa?”

E na avenida a multidão de corpos se incendeia na fogueira de abadás.

fev
19

Ao que tudo indica, outro carnaval chegou e gostar não é possível

Tem que haver implicância, tem que haver aborrecimento

E o cheiro que é o meu favorito, ao que tudo indica, envolve uma espécie de pimenta

Um tipo aparentemente comum de malagueta, mas que pra mim, só pra mim, desdobra-se em raro

Intolerantemente brava é essa pimenta, irresistivelmente quente, inconfundivelmente dourada, inesquecivelmente agridoce

Ao que tudo indica, incompatível para mim, muito embora o meu corpo ignore esse fato

Talvez por isso a sensação de antagonismo

De repudiar o desejo e rechaçar o sentimento mais caro

De não render-me ao óbvio ululante e dar as costas ao instinto animal

Ao que tudo indica é preciso tornar-me um militante da razão, burocrata do amor

Teórico dos sentimentos, uma espécie de poeta mutilado

Jardineiro cotoco, sem mãos, sem braços, ou pernas

Um viajante sem chão, sem céu, sem o cruzeiro do sul

Tudo porque um dia fui brincar com fogo e saí desorientado

Eu tive que partir pra essa viagem trazendo um emaranhado de palavras, um rosário desconexo

Esse origami caleidoscópico

Improvável conversão de tempo e distância

Mirando um imenso jardim de rosas vermelhas, amarelas, multi-coloridas

No centro do qual encontra-se, emblemático, o jardineiro cotoco

Olhos vidrados na única espécie alienígena do roseiral

Fruto altivo, indiferente à lógica geográfica, à cronologia débil de seus pares e aos prazos de validade:

A pimenta que abrasa o jardim inteiro suga todos os sentidos

Enquanto o tempo se converte em estúpidos carnavais que eu conto, um a um.

Isso, me parece,  ao que tudo indica.

fev
10

Indo para o trabalho de manhã, a visão da garota ali, parada na fila, era como abrir a persiana da janela para o primeiro raio de sol – eu despertava para o dia. Uma loirinha de cabelos escorridos, cara lavada, ela estava em camiseta, jeans desbotados e um par de tênis barato, desses que se encontram em promoções arrasadoras e ficam soltos dentro de cestos de vime nas portas das lojas do centro da cidade. Logo atrás dela, como que a emoldurá-la, a placa do Habib´s lia “Pizza Grande: de R$15,80 por R$13,80”. Ela estava no acesso de serviço e, ao lado dela, totalmente absorto em terno preto e rádio na mão, o segurança do shopping olhava para o tráfego de carros na rua. Ocorreu-me que ele não notava que, ao lado dele, havia um anjo.

“Que linda!” – pensei alto enquanto a fila de carros não se movia.

“Quem?” – era o meu colega no carona do meu carro.

“Aquela gata na entrada do shopping”.

“Qual? A loirinha?”

“É”.

“Cala a boca, cara. Tu ainda não acordou”.

“Ela tem o olhar mais solitário que eu já vi”.

“Ela não tem graça nenhuma, tu só pode estar carente”.

“Cara, ela é a coisa mais linda que eu vi nos últimos tempos”.

“Tu quer é socar rola nela”.

Meu mau-humor de toda manhã ataca mais do que o refluxo:

“Cala a boca, meu, fica na sua”.

“O quê você viu na polaca?”

Felizmente a fila andou e eu segui, ficando com a imagem da garota decalcada na cabeça igual tatuagem que a gente acabou de fazer e não consegue parar de olhar. Fiquei imaginando onde seria a casa dela. Se ela morava com os pais, com a família, com uma tia velha, sei lá. Talvez morasse em alguma republica. Os pais haviam ficado no interior e ela tinha vindo estudar e trabalhar na capital. Conseguira o emprego em um shopping bacana na cidade e todo mês mandava um tiquinho de dinheiro para os pais na cidade deles. O velho estava derrotado, vivia encostado no balcão do bar. A mãe escrevia cartas de agradecimento toda semana, pedindo para a filha se cuidar, dormir muitas horas para descansar, e que não mandasse todo o dinheiro de volta pra casa, que guardasse um pouco para ela. Perguntava dos estudos e do trabalho. A mãe que nunca havia estado em um shopping, mal saíra da cidadezinha. Por isso a garota tinha muito orgulho por poder trabalhar de 10 a 12 horas por dia na loja. Ninguém olhava pra ela. Nenhum cliente notava aquele olhar solitário. Ninguém percebia como ela era linda, como gostava de estar ali ou quão satisfeita ficava em poder ajudar.  Preferia um milhão de vezes ficar adiante do balcão, mas frequentemente precisava ir para trás receber as compras e empacotá-las. A loja fazia um rodízio e era assim que a vida seguia em frente. Horas a fio atendendo clientes que não lhe olhavam nos olhos. Longas horas sorrindo para pessoas eternamente apressadas. Raramente alguém lhe retribuía um sorriso. Frequentemente ela pensava na mãe, preocupava-se com o pai.

“Qual é, tá pensando na loirinha sem sal ainda? Tu é um maníaco”.

Eu só queria que esse desgraçado calasse a boca. Queria continuar tentando esquadrinhar a rotina dela. Os tênis, embora muito simples, eram novinhos em folha. Ela deveria tê-los comprado porque precisava calçar algo confortável enquanto pudesse. Seguramente recebia um uniforme completo para trabalhar o dia todo e ficar em pé tantas horas judiava dos pezinhos pálidos dela. Linda, forte, lutadora, essa garota seria uma grande mulher, imaginei o meu filho no colo dela, sorte de quem pudesse estar com ela pra valer. Senti uma pontada de inveja, mas não tinha, propriamente, a quem endereçar esse meu sentimento. O olhar mais solitário do mundo não sairia da minha cabeça nunca mais. Fui acometido por uma urgência, como se eu estivesse de nove meses, por dar a luz e a bolsa rompesse. Parei meu carro abruptamente. Soltei o cinto de segurança e escancarei a minha porta no meio da rua:

“Cara, pula pra cá. Dirige. Vai pra firma, eu te encontro lá mais tarde.”

Saí andando entre os carros e o meu colega saltou pela porta dele, estabanado. Ele gritava sem parar. Berrava coisas que, pra mim, não faziam o menor sentido. Berrava que eu era louco, que podia ganhar a gata que eu quisesse, que voltasse para o carro imediatamente, que mais tarde eu poderia voltar lá e comprar o shopping inteiro inclusive, com a gata dentro, que eu teria todo o tempo do mundo. Mas eu sabia o que estava fazendo. A garota valia muito mais do que todo o tempo do mundo e eu sentia que o tempo passava ao meu largo e passava para ela como passa, estranhamente, para o resto do mundo. O fato é que eu me sentia tão solitário quanto aquele olhar dela.

fev
01

Nada mais a dizer exceto que o teu corpo ainda é a minha casa

E que os teus olhos felinos toda vida se refletirão nos meus

Nada tens a dizer quando os meus lábios selam os teus

E as tuas mãos estão libertas no enlace das minhas

Nada além do silêncio ao redor da nossa cama

E a luz do dia somente para além da janela

Nada para ser dito em meio a toda essa comoção

E uma montanha de gelo se derreteria diante do calor

Nada nem ninguém se pronuncia sobre a nossa roupa de cama

E o lençol e a noite convergem numa longa indecifrável confusão

jan
11

Ele tem 9 anos de idade e está sobre o muro. Para quem vê de longe, uma criança pequena em situação de grande risco. Ele se sente como um homem feito, uma espécie de super-homem. Não está no cantinho do muro e nem próximo a nenhum eventual apoio. Está no meio do muro, onde chegou cuidadosamente, mas sobre as próprias pernas, avançando bravamente contra o medo e o frio na barriga. Não se trata de nenhum muro baixinho, ou médio, mas de um muro alto. Uma queda dali significaria o fim. Seguramente morreria. Nada de um braço quebrado ou duas pernas fraturadas. Ele estava de cara com a morte. Talvez por isso sentisse o coração batendo forte e a sensação era maravilhosa. Precisava se concentrar, desvencilhar-se do medo, afinal de contas já era homem feito. O super-homem. Em volta dele os telhados das casas formam uma espécie de vale sinuoso e vermelho que vai a cerca de um metro abaixo dos seus pés. Telhados e antenas, o mundo é bem diferente visto ali de cima. Acima o céu azul. As nuvens branquinhas voando longe. O vento, suave, um frágil obstáculo, inimigo débil. Ele é maior do que o vento. Com os olhos mira os próprios pés enfiados, sem meias, nos tênis. O furéco no tecido de um dos calçados deixa escapar uma ponta de dedão do pé. Sua irmã costuma dizer que ele tem chulé porque não usa meias. É por isso que ele acha as meninas umas tontas: porque elas fazem careta de nojo e comentários idiotas sobre coisas que não têm a menor importância. A irmã tem nojo de suar, imagine! Passou uma semana inteira sem falar com ele no dia em que colocou minhocas dentro da caneca de café da manhã dela. E lá se foi outra semana de silêncio quando colocou um par de meias usadas embaixo do travesseiro dela. Quem mandou contar para a mãe que ele arrancava as meias todos os dias no meio do caminho para a escola? Ela merecia o castigo. Mas daí a uma semana inteira de greve de silêncio era um pouco demais. Coisa de menina. Umas baratas tontas. As primas, as colegas da escola e as irmãs dos amigos, para ele, também são um bando de esquisitas. Não se conforma com a mania de beijarem a televisão cada vez que um cantor ou artista favorito aparece. Tem uma prima que faz isso. Uma maria mole.

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O pai diz que um dia ele só pensará em mulheres e a sensação será muito diferente, que ele vai gostar tanto que, quando menos esperar, vai acabar sofrendo muito justamente por se apaixonar por uma delas. O que o pai não sabe é que ele não é um homem comum. Ele é o super-homem, embora isso seja segredo para o resto do mundo. O pai diz “meu filho, um dia você vai se apaixonar por uma dessas meninas que você chama de molenga”. Ele duvida e não abre mão de gritar para o pai que nunca… NUNCA! Um dia o pai deu um livro para ele e disse que era sobre uma história de amor entre um homem e uma mulher. Disse que ele deveria ler, por menos que acreditasse. Falou que a literatura servia para “criar mundos no mundo”. O menino ficou com aquilo na cabeça: “criar mundos no mundo – coisa de super-homem”. Começou a ler a história e decidiu que o pai estava certo. Era, definitivamente, uma história de amor entre um homem e uma mulher. Tudo para ele soava muito novo entre aquelas linhas. Tinha diante de si uma história atraente e ele estava curioso. De fato havia esse homem que conheceu essa mulher e se apaixonou muito por ela. Esse homem tornou-se escritor e escreveu a história que se transformou no livro. Estava tudo ali. Era um bom livro, embora o autor escrevesse de um jeito diferente. Ele descreveu a paixão que sentia pela mulher como a sensação de voltar a ser um menino e estar sobre um muro muito alto, deixar o vento lhe apanhar e não sentir medo. Era esse tipo de coisa que estava escrito no livro. Por isso o menino escalou o muro mais alto do bairro inteiro. Ele continuava achando as meninas um imenso bando de fricoteiras chiliquentas. Mesmo assim resolveu descobrir, sozinho, como seria apaixonar-se por uma delas.

jan
05

Alguma coisa a respeito desse cenário marciano

Me diz que eu nasci de peixes e vou morrer ariano

Uma criatura estranha, meio bicho, meio humano

Quanto mais alto o vôo, mais me afundo no oceano

Sou meio brasileiro e meio italiano

Uma pessoa simples e de hábito mundano

Mas se eu errar teu nome e te chamar de Fulano

Pode ser de propósito ou pode ser por engano

É que o meu lado bom é louco e o meu lado ótimo é insano

E você inventou de me amar mais quando eu me lasco e me dano

Então… se pudesse nascer de novo, eu nasceria cigano

Andaria com os bolsos vazios, seria meio espartano

Te traria sempre comigo, minha bonequinha de pano

E o dia duraria um mes, e o mes duraria um ano.

dez
27

Se preparem, Monstrinhos:

http://www.oficinademusica.org.br/

TÁ COM MEDO OU FALTA CORAGEM?

dez
25

O letreiro de neon à entrada lia “The Drake” ou “The Duke”, já não me lembro mais. Foram algumas taças de cognac até aqui, provavelmente quase uma garrafa inteira. O fato é que poderia ser qualquer um dos dois. Nova York deve ter um The Drake ou um The Duke em cada esquina. Todos eles devem ser idênticos a esse onde estou enquanto escrevo: um ambiente pouco iluminado com diversas mesas ao longo de uma parede, um salão desalmado e um grande balcão em forma de L cheio de estória. Nesse momento estou em pé para esticar as pernas, mas passei quase a noite toda sentado sobre a banqueta alta. Lá fora a neve despenca, deve estar 20 graus abaixo de zero. Aqui dentro, fechado e depois de várias doses, a única referência do frio é o gelo colado no vidro das janelas, além dos flocos de neve fazendo evoluções sob a luz dos postes acesos e do farol que há horas está piscando no amarelo. Essa não é uma vizinhança das mais recomendáveis para um estrangeiro branco como eu. Mesmo assim, estou realizando um sonho. É que sempre quis passar uma noite de natal sozinho em Nova York. Sempre quis sentar diante de um balcão como esse, pedir uma dose dupla de cognac e ficar olhando a neve cair do lado de fora. Ouvir Cole Porter brotando do piano anônimo. Ser eu mesmo mais um anônimo a perambular sozinho pelas calçadas congeladas da Big Apple. Acender o meu cigarro na fogueira abandonada de um mendigo qualquer, jogar uma moeda de 50 cents no chapéu dele. Dizer “thank you dude” e ouvir um “god bless America” da boca embriagada do mendigo quase congelado, seguir chutando a neve suja, avistar um yellow cab cruzando a esquina deserta, olhar através da janela para dentro do restaurante e ver o casal entediado comendo o ultimo muffin na ultima mesa do salão, sob o olhar sonado do ultimo garçom, à espera da ultima gorjeta da noite de natal. Nesse momento o bartender derrama mais uma dose dupla para dentro da minha taça companheira e eu reconheço as notas saídas do piano: “have yourself a merry little Christmas” e penso no grande lugar comum onde sempre almejei estar. Penso que o natal é um imenso clichê. Papai Noel, Santa Claus e toda essa história de fazer o bem sem olhar a quem, tudo isso é um lugar comum sem fim. Uma época introspectiva e melancólica, seja em Nova York ou em Curitiba. Os personagens são os mesmos, invariavelmente. Eles habitam as nossas cabeças, estamos sempre pensando em alguém especial nessa época. Eu mesmo precisei me transportar até aqui para concluir que encontrarei no fundo de uma taça de cognac os mesmos rostos, e o mesmo vai acontecer no silêncio da noite para o lado de fora da porta do The Duke ou The Drake: ouvirei ecos, somente ecos. A verdade incontestável é que Nova York e São Paulo estão a um pensamento de distância. A referência de tudo na vida diz respeito aos quadrantes. Eu mesmo, como escritor, posso usar esse blog para me colocar onde quiser. Sou um grande mentiroso, um péssimo cumpridor de planos e a Nova York desse texto não passa de uma grande fantasia, de um sonho ainda por ser realizado um dia, quem sabe. Não escrevo do balcão do bar e nem envolto pelo inverno congelante. Estou em Cotia, colado com São Paulo, em meio a um marcante verão tropical. Meu natal solitário em Nova York segue sendo um plano, nada mais. Estou cercado pela família e a gargalhada do meu sobrinho, à distância, faz minha vida se reconectar aos 4 quadrantes. Faz-me concluir que sinto falta de algumas coisas e de muitas pessoas, sem dúvida. Mesmo assim essa gargalhada de criança leva-me a concluir sobre o quanto sou feliz, mesmo quando nada sai como planejado originalmente. Deixar a melancolia tomar conta do peito e ser resgatado por uma música, por uma lembrança, uma fantasia ou pela gargalhada de uma criança deve ser uma dessas pequenas mágicas do natal.

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